Em homenagem à mãe, Snoop Dogg transforma lembranças, amor e espiritualidade em um álbum marcado pela emoção.

Conhecido mundialmente por sua trajetória no rap, Snoop Dogg encontrou na música gospel uma maneira de homenagear sua mãe, Beverly Tate. Em 2025, lançou Altar Call, seu segundo projeto gospel, com 21 faixas e uma capa que traz a imagem de Beverly. O álbum foi lançado justamente no dia em que ela completaria 74 anos, e sua primeira música, “Mother I Miss You”, já revela o sentimento que atravessa o trabalho. Para Snoop, o projeto representa uma forma de manter vivos os ensinamentos que recebeu dela sobre amor, esperança e cura.

A força de Altar Call está justamente na sinceridade de sua origem. Mais do que experimentar outro gênero musical, Snoop transformou a saudade em uma homenagem, permitindo que lembranças pessoais se tornassem música e alcançassem outras pessoas. Beverly, que também teve uma trajetória ligada à igreja e ao coral, deixou uma influência que continuou presente na vida artística do filho. Assim, aquilo que começou como uma expressão pessoal ganhou uma dimensão capaz de tocar ouvintes que talvez nunca tenham vivido a mesma história, mas reconhecem na música sentimentos universais como amor, perda e gratidão.

Talvez seja justamente essa permanência que torne a arte tão especial: a capacidade de transformar alguém que já partiu em presença. Ao ouvir o álbum, a lembrança de Beverly deixa de pertencer somente à família e passa a existir também na música. Como escreveu o mineiro Guimarães Rosa, “As pessoas não morrem, ficam encantadas.” E, em Altar Call, a mãe de Snoop parece permanecer exatamente assim: encantada em cada melodia, em cada palavra e na memória de quem escuta.