Elas fizeram história no Hip Hop
De Kika Maida, pioneira do breaking brasileiro, a FabGirl e B-Girl Maia, conheça as mulheres que conquistaram espaço nas rodas, nas crews e nos grandes campeonatos.
Na década de 1980, quando o breaking começava a ganhar força no Brasil, Kika Maida já frequentava as rodas de dança de São Paulo. Aos 14 anos, aprendeu observando os B-Boys e passou a fazer parte da cena que se reunia na estação São Bento, um dos principais pontos de encontro do Hip Hop nacional. Integrante da Back Spin Crew, Kika participou de batalhas e apresentações em uma época em que poucas mulheres eram vistas dançando breaking. Em uma disputa entre São Paulo e Rio de Janeiro, em 1987, chegou a entrar na roda quando sua equipe precisava virar o confronto e conquistou o público com sua apresentação. Sua trajetória se tornou uma referência para a história das B-Girls brasileiras.
Na mesma época, outras mulheres construíam seus próprios caminhos. Rose MC começou como B-Girl antes de seguir carreira como MC e educadora; Sharylaine também entrou no Hip Hop pela dança, integrou a equipe Nação Zulu e, em 1986, criou o grupo Rap Girl’s, tornando-se uma das pioneiras do rap feminino brasileiro. Já Fabiana Balduína, conhecida como FabGirl, fundou em 2003 a BSBGIRLS, primeira crew de breaking formada exclusivamente por mulheres no Distrito Federal. O grupo abriu oportunidades para que mais dançarinas treinassem, participassem de batalhas e desenvolvessem suas próprias trajetórias. FabGirl também representou o Brasil em competições internacionais e passou a atuar como jurada do Red Bull BC One.
“O Breaking para mim é tudo, envolve muito amor, paz e respeito.”
— Kika Maida, em entrevista à Breaking World.
Nas competições atuais, nomes como B-Girl Maia, bicampeã brasileira do Red Bull BC One em 2022 e 2024, e a japonesa Ami, campeã mundial da competição em 2018 e 2023, mostram a evolução do breaking feminino em alto nível. Maia representou o Brasil na final mundial de 2023, em Paris, enquanto Ami se consolidou como um dos grandes nomes internacionais da modalidade. Entre as novas gerações brasileiras, Mini Japa também vem conquistando espaço: em 2026, venceu o Cypher Brasil e garantiu a oportunidade de disputar uma vaga na final mundial em Toronto. De Kika Maida às competidoras de hoje, a história das mulheres nas danças urbanas é feita de diferentes gerações, estilos e conquistas que ajudaram a ampliar a presença feminina na cultura Hip Hop.



