Além do Movimento: Artistas PCD que Marcam o Hip-Hop
Do chão das batalhas aos palcos internacionais, artistas PCD constroem suas próprias linguagens e conquistam espaço na história das danças urbanas.
Perninha: técnica, identidade e conquistas dentro das batalhas
Natural de João Pessoa, na Paraíba, Lucas Ferreira Machado, conhecido como B-boy Perninha, construiu uma trajetória marcada pela criatividade e pelo reconhecimento na cena do breaking. Nascido com uma má-formação na perna esquerda, começou a dançar aos 13 anos e fundou a Infect Break Crew, antes de integrar outros coletivos e conquistar títulos no Brasil e no exterior. Entre seus resultados estão o primeiro lugar no Rio H2K, em 2017, e a vitória no Outbreak Cypher King, na Eslováquia, em 2019. Sua história não se resume às conquistas competitivas: Perninha também atua na formação de dançarinos e na difusão da cultura, mostrando como identidade, técnica e experiência podem se transformar em uma assinatura artística própria.
Samuka: um nome brasileiro que conquistou o mundo
Samuel Henrique, o B-boy Samuka, nascido no Distrito Federal, é outro nome que representa a força criativa do breaking brasileiro. Após enfrentar um câncer ósseo e passar pela amputação de uma perna ainda na adolescência, encontrou na dança um novo caminho de expressão. Com o tempo, desenvolveu sua própria maneira de executar movimentos e passou a competir internacionalmente, conquistando a vitória na Undisputed World Final de 2024, em Tóquio. Sua apresentação no programa norte-americano America’s Got Talent também levou sua dança a um público ainda maior. Mais do que chamar atenção pela execução dos movimentos, Samuka demonstra como a construção de uma identidade no breaking envolve pesquisa corporal, adaptação, musicalidade e personalidade — elementos fundamentais para qualquer dançarino que deseja deixar sua marca nas pistas.
iLL-Abilities: quando a diferença também cria linguagem
Fundada em 2007 a partir de uma ideia do dançarino canadense Luca “Lazylegz” Patuelli, a iLL-Abilities é uma crew internacional de breaking que reúne artistas com diferentes deficiências e experiências corporais, incluindo os brasileiros Perninha e Samuka. O coletivo desenvolve apresentações, oficinas e espetáculos que exploram possibilidades próprias de movimento, valorizando a criatividade e a individualidade de cada integrante. No universo das danças urbanas, em que estilo pessoal e interpretação musical são componentes essenciais, o trabalho da crew amplia as referências do que pode ser criado com o corpo, sem depender de um único padrão de execução. Seus integrantes não apenas ocupam palcos internacionais: contribuem para expandir o repertório visual e artístico do breaking, reafirmando que a história da dança também é escrita por quem transforma sua própria maneira de se movimentar em linguagem, identidade e legado.
“Uma das coisas que aprecio no hip hop é que ele é naturalmente inclusivo. Todos se unem para celebrar a música, a dança e a arte.”
— Luca Patuelli, em entrevista ao Stance on Dance (2021).



